Nem o mais pessimista dos raposeiros esperava uma campanha tão desastrosa. Sete derrotas e uma vitória em oito jogos. O Campinense é por merecimento o lanterna da competição. A Raposa tem a pior defesa com 21 gols sofridos. O Guarani líder invicto sofreu apenas cinco. Comparando os dois times fica ainda mais evidente que o problema está - como se diz no futebol - do meio pra trás. O time de Campinas marcou 13 gols e o rubro-negro 10. O único jogo em que o Campinense não fez gol foi o do último sábado quando perdeu para o Ceará por 2 a 0.
A péssima campanha é fruto da passagem de Ferdinando Teixeira pelo clube. O “professor” já demonstrava no Paraibano que não estava envolvido com o projeto do time. Nas entrevistas deixava claro que só havia aceitado o convite porque Campina era perto de Natal e dava para administrar os negócios dele. Deixava claro que estava muito mais preocupado com o empreendimento.
Ferdinando é hoje o que se pode chamar de um ex-treinador. Ele, pelo menos foi o que mostrou no Campinense, não tem mais motivação para treinar um time. Apesar dos maus resultados no Paraibano o técnico foi mantido para a Série B. E mais: entregaram-lhe a responsabilidade da montagem do elenco. O ex-treinador sempre disse que montaria um time para se manter na Série B. É aquela história de quem joga para empatar perde. Quem monta time para se manter, cai.
O grande erro talvez tenha sido a permanência de Ferdinando depois do Estadual. O Guarani (o líder deve ser de exemplo) foi rebaixado no Campeonato Paulista, mas reformulou o elenco e investiu na contratação de um grande treinador, o Vadão. O Campinense só mudou de técnico depois de quatro derrotas. Trouxe o técnico Argel Fucks, que mesmo com muita disposição, ainda não conseguiu arrumar o time. Já são três derrotas em quatro jogos. Um pouco melhor que Ferdinando. Mas longe de entusiasmar.
Ainda faltam 30 rodadas. A grande pergunta é se Argel vai conseguir livrar o time do rebaixamento. É uma missão difícil. Montar elenco dentro da competição quase nunca dá certo. Além disso, os jogadores indicados pelo treinador ainda não empolgaram o torcedor. E também não resolveram. O jogo contra o Ceará é a prova. Como não dá para ficar mudando de treinador, o ex-zagueiro permanece no comando.
Para se livrar do rebaixamento, a Raposa precisa fazer pelo menos 45 pontos. O Fortaleza, 16º colocados em 2008, se livrou da degola com esse número de pontos. Já o Ceará fez 50 em 2007. O Marília (17º) fez 45 pontos e foi rebaixado. O Campinense tem 15 jogos em casa. E se levar em consideração os números dos anos anteriores será preciso vencer – no mínimo - todas as partidas em casa para garantir permanência na Série B. Uma situação crítica que, sem dúvida nenhuma, é a herança (maldita) deixada por Ferdinando Teixeira.
Ironia
A contratação do atacante Rafael Porcellis foi ironizada por um site paulista:
“Lanterna da Série B contrata ‘artilheiro do futebol virtual’
O Campinense confirmou nesta quarta-feira de manhã a contratação do atacante Rafael Porcellis. O jogador foi revelado nas categorias de base do Internacional, mas não se firmou na equipe principal.
Se na vida real o atacante não ficou conhecido, o mesmo não se pode dizer no mundo virtual. Porcellis é um dos destaques do jogo Football Manager 2008. Jovem, ele começa na equipe de base, mas logo sobe para o time profissional e faz a diferença em campo.
Artilheiro no futebol virtual, Porcellis terá de corresponder às expectativas da torcida do Campinense, que busca um ídolo que possa melhorar a situação do time na Série B do Campeonato Brasileiro”.
Reprise?
Semana passada ouvi a notícia de que o Campinense está prestes a anunciar a contratação do atacante paraibano Silva, que fez sucesso no futebol português. O anúncio deve ser feito assim que o jogador recuperar a forma física. Silva está treinando há algum tempo com o elenco rubro-negro. Como perguntar não ofende duas perguntas: o Campinense tem tempo para esperar um jogador entrar em forma? Será que não vai se repetir a mesma história de Ailton?
Repercussão
Não repercutiu bem em Pernambuco a atitude do Treze de sair de campo após a marcação de um pênalti a favor do Santa Cruz no amistoso de sábado. O Galo vencia por 4 a 3 e já havia tido dois jogadores expulsos. O tricolor não chegou a bater o pênalti e a partida terminou. A imprensa pernambucana criticou muito a postura do time paraibano.
Rivalidade
O episódio de sábado só aumentou a rivalidade entre os dois times. Caso Treze e Santa Cruz se enfrentem na Série D certamente será uma “batalha no Arruda”. Até porque os tricolores ainda guardam uma amarga lembrança de 99, quando o time foi desclassificado pelo alvinegro (4 a 2) em Recife.
Leonardo Alves
Jornalista
Envie e-mails para este colunista pelo endereço:
alvesleo@terra.com.br