Paraíba, segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010.
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08/07

FELIZ ANIVERSÁRIO FREITAS NASCIMENTO!

Freitas: Competência, persistência e humildade

 

 

Conheça um pouco mais deste "Campinense Baiano" agora com 53 anos

 

Entrevista feita no ano de 2008

 

O técnico do Campinense, Natazílio Freitas Nascimento, concedeu uma entrevista ao Agora Esportes e falou sobre vida, futebol, Olimpíadas, falta de incentivo ao esporte e muito mais.

 

Com um ano de contrato assinado com o clube, o treinador passou por momentos difíceis até conquistar o título do Campeonato Paraibano 2008 e levar a equipe as disputas da Série C do Campeonato Brasileiro. Com quase o mesmo elenco de jogadores desde o início, o técnico falou porque manteve o grupo após levantar o troféu.

 

Freitas tem 52 anos, é baiano da cidade de Ipirá, filho de Natanael Nascimento e Nair Freitas Nascimento. É casado com Cleide Cordeiro da Silva Nascimento e pai de Suzana Kelly Cordeiro Nascimento e Natazílio Freitas Nascimento Junior.

       Foto: Daniel Bandin/Agora Esportes

      
      A emoção de um campeão que sempre acreditou em seus jogadores

Agora Esportes: Para a resenha desse mês nós recebemos Natazílio Freitas Nascimento, mais conhecido como Freitas Nascimento, o técnico do Campinense. É um prazer recebê-lo na nossa resenha Freitas.

 

Freitas Nascimento: Bom… o prazer é todo meu, esperamos fazer uma entrevista bem alegre e responder tudo aquilo que for capaz.

 

Agora Esportes: Pra começar então, quem é Freitas Nascimento?

 

Freitas Nascimento: É um campinense baiano, que foi um atleta de futebol, que tem muita determinação, uma pessoa séria, honesta, que tem uma perseverança, uma persistência muito grande e é uma pessoa bastante trabalhadora.

 

Agora Esportes: Como o futebol entrou na sua vida? Como foi a idéia de começar a jogar futebol?

 

Freitas Nascimento: Pela insistência, pela persistência. Naquela oportunidade era muito mais complicado do que hoje para ser um atleta de futebol profissional, tinha que fazer testes em algumas equipes, tanto na equipe dos juniores de Feira, depois como profissional no Itabaiana e Piranhas onde eu comecei a aparecer no futebol.

 

Agora Esportes: Você teve apoio da sua família nesse início?

 

Freitas Nascimento: Tive, logicamente que você nunca tem de todos, né? Porque família pobre, por estar chegando na idade 17, 18 anos que ia trabalhar pra ter o seu sustento, mas meu pai, minha mãe e alguns irmãos. Outros eram contra mas eu tive a felicidade de ser atleta de futebol profissional.

 

Agora Esportes: Você teria uma outra profissão que queria seguir caso caso não seguisse o futebol como profissão?

 

Freitas Nascimento:Tinha, tanto que algumas pessoas da minha família, por ser de interior e eu vir morar na capital em Salvador para estudar, eu tinha pretensão de me formar em direito para depois fazer concurso pra juiz. Sempre achei uma posição de status e era meu objetivo, mas o futebol ultrapassava a própria vontade de ser juiz de direito.

 

Agora Esportes: Como você descreveria essa época de jogador?

 

Freitas Nascimento: Olha eu acho que naquela oportunidade as coisas eram muito mais difíceis do que hoje. Hoje, você com 12 anos 13 anos, você da um chute na bola e já aparece colaboradores, já aparece empresário, naquela oportunidade você tinha que correr atrás, fazer teste, se mostrar. A concorrência sempre foi grande, mas a dificuldade para você entrar num clube era muito maior, então através da persistência de acreditar que eu poderia ser aquilo que eu tinha na minha mente e graças a Deus foi realizado.

 

Agora Esportes: Teve algum momento que pensou em desistir?

 

Freitas Nascimento: Não, eu não sou de desistir. Em momento alguma nem hoje como técnico, nem na minha vida profissional. Acho que é como eu já falei no início, são coisas particulares minhas, como a persistência, a perseverança, o otimismo, a paciência de acreditar sempre. Acho que você tem que ter essas qualidades.

 

Agora Esportes: Qual seria um momento inesquecível, seja como jogador, seja como treinador, que você apontaria?

 

Freitas Nascimento: Olha eu tive vários, eu sou uma pessoa que tem que agradecer a Deus, por ser bem sucedido como atleta, eu tive o prazer de jogar no Bahia, de fazer gols de classe, ser ídolo, jogar no Santos ao lado de grandes jogadores, estar no Fluminense na época da máquina quando tinha vários jogadores de Seleção Brasileira. Meu primeiro titulo como atleta marcou, meu primeiro titulo como treinador, então são várias situações. Eu me considero uma pessoa bastante vencedora mesmo nesse sentido, então se eu for aqui detalhar momentos, primeiro que eu já sou emotivo por natureza, algo normal de toda pessoa que trabalha com essa determinação, eu já passo a ser emotivo pela própria situação. Eu fico até com medo de esquecer alguns que marcaram muito na minha vida.

 

Agora Esportes: E tem algum que você faz questão não de esquecer?

 

Freitas Nascimento: Olha, como jogador meu primeiro Ba-Vi, eu como jogador do Bahia, o Bahia era meu time de coração, nós ganhamos de 1 a 0  com gol meu. O primeiro titulo como treinador, que eu ganhei na prorrogação faltando 15 segundos pra acabar a prorrogação. Eu valorizo tudo aquilo que eu ganho, o titulo que eu ganhei aqui em 2000 pelo próprio Treze que ninguém acreditava, empatei em casa e fui ganhar em João Pessoa, esse titulo que eu ganhei esse ano, o titulo que eu ganhei no Itabaiana em 2005, um trabalho que eu fiz no Londrina, passei dois anos. Eu tive mais alegrias do que insucesso

 

Agora Esportes: E tem algum momento em sua carreira que você apagaria da sua memória?

 

Freitas Nascimento: Eu sou uma pessoa bastante explosiva, tenho temperamento muito forte, mas eu entrego a Deus as coisas que acontecem que não sejam do meu agrado, mas eu não sou de guardar mágoa porque não faz a minha personalidade.

 

Agora Esportes: Você jogou por quanto tempo?

 

Freitas Nascimento: 15 anos, eu joguei 15 anos.

 

Agora Esportes: Da pra lembrar quantos clubes foram?

 

Freitas Nascimento: Joguei em 15 clubes, vamos relembrar porque eu tive varias repetições né? Joguei no Alagoas, joguei no ASA três vezes, eu joguei no Bahia, eu sai voltei a jogar, Itabaina, Ipiranga, Bahia, Santos, Fluminense, Criciúma, CSA, Confiança, Alecrim, tem mais… ASA de Arapiraca, Central. Foram 15 clubes, mas teve alguns que eu joguei duas vezes, outros joguei três. Naquela época, para trocar de clube era mais difícil, porque o clube comprava seu passe e não existia a lei do passe, a pessoa só saia se fosse negociado ou emprestado.

 

Agora Esportes: Por falar nisso, a Lei Pelé, o que dizer dessa lei Pelé? Tem muita gente por ai, inclusive o Santa Cruz que foi rebaixado, disse que a Lei Pelé está atrapalhando. O que o Freitas pode dizer sobre isso?

 

Freitas Nascimento: olha, futebol é dinâmico porque cada um tem sua opinião, cada um analisa da maneira que achar conveniente. Eu acho que o atleta perdeu a identidade com o clube, né? Porque você está aqui hoje e amanhã tiram você daqui e bota ali, então eu sei que algumas pessoas foram beneficiadas, empresários, mas o jogador passou a ser um objeto muito volúvel, muito vulnerável. Você ver ele bater no peito naquela situação mas no fundo você sabe que não é nada daquilo e as vezes tem, mas o empresário não deixa que ele permaneça em clubes por muito tempo, então eu acho que não foi benéfico para a maioria dos jogadores, foi benéfico para alguns que hoje estão bem feitos.

 

Imagem: Roberta Lima/Agora Esportes               Imagem: Roberta Lima/Agora Esportes

 

 

 

.

Agora Esportes: Bom voltando a sua carreira de jogador, como foi o momento que você decidiu parar de jogar futebol?

 

Freitas Nascimento: Eu sou uma pessoa tão determinada nas coisas, que no dia anterior que eu decidi parar de jogar eu fiz dois gols, no outro dia eu achei que era o momento de parar porque eu vinha de uma contusão, de uma cirurgia no joelho, o joelho começava a inchar, então… Eu parei de jogar com 33 anos, eu achei que não estava podendo treinar diariamente como eu gostava. No jogo eu começava a perder um pouco da força, então eu achei que era o momento, muita gente até não acreditava, achava que era o momento que eu estava passando e que eu poderia voltar, já que eu tinha sido comprado por um clube seis meses antes.

 

Agora Esportes: Qual era o clube?

 

Freitas Nascimento: O Asa de Arapiraca, mas eu achei que era o momento, porque eu tava podendo realizar aquilo que eu gostava, aquilo que eu mais gostava e que sabia fazer, que era jogar futebol.

 

Agora Esportes: E daí para virar treinador, foi rápido?

 

Freitas Nascimento: Não. Não pensava em ser treinador, eu sempre fui líder, capitão de boa parte das equipes por onde eu passei, mas não pensava nisso. Eu abri um comércio para me manter e manter minha família, depois apareceu o convite, eu fui analisar, as pessoas achavam que eu tinha uma característica de liderar, de comandar, eu queria a experiência e gostei.

 

Agora Esportes: Primeiro clube?

 

Freitas Nascimento: Asa de Arapiraca

 

Agora Esportes: Saiu como jogador, voltou como treinador.

 

Freitas Nascimento: Voltei como treinador, foi minha primeira oportunidade como técnico.

 

Agora Esportes: Quanto tempo depois?

 

Freitas Nascimento: Quatro anos.

 

Agora Esportes: Bom, esse mês você está completando um ano de contratado pelo Campinense, isso é muito difícil de acontecer, o que você acha que aconteceu? Qual é o segredo para você continuar por tanto tempo treinando o mesmo clube?

 

Freitas Nascimento: Pra mim não é novidade, já tinha acontecido isso na minha carreira: Londrina dois anos, CSA dois anos, Ipanema dois anos, em outras equipes que eu não tive tanto tempo passei varias vezes, Itabaiana um ano, já trabalhei no Itabaiaba três vezes, trabalhei no ASA duas vezes, trabalhei no CSA duas vezes, trabalhei  11 meses no Joinvile, então eu tenho o prazer de falar que eu tenho essa característica de sempre me identificar com os clubes que trabalho e passar muito tempo.

 

Numa carreira de quase 20 anos como técnico, eu fui demitido três vezes. Uma todo mundo sabe não precisa falar aqui, que foi aqui na Paraíba, e duas por questão de temperamento, de personalidade, jamais por questão de resultado, de trabalho, que é natural.

 

Eu sempre passo muito tempo nos clubes que eu trabalho. Aqui no Campinense, um dos fatores foi o apoio que tive da diretoria, o relacionamento, olharam menos os momentos de dificuldade, olharam mais o nosso trabalho, ai então estamos chegando a um ano dentro do clube.

 

Agora Esportes: Um ano de treinador, também com vários jogadores que chegaram no inicio para o Campeonato Paraibano.

 

 

 

 

 

Freitas Nascimento: É, eu acho que futebol, você tem que olhar no atleta primeiro o homem, segundo o bom jogador, terceiro olhar a faixa salarial identificada pelo grupo que você trabalha e isso ai tem alguns jogadores que se encaixam dentro desse perfil e jogador é pago para dar o retorno ao clube, ao treinador, quando ele está dando retorno ele merece ter o seu espaço, a confiança do técnico, eu prezo muito por isso, prezo muito aquele que é o bom caráter, é um homem, aliado a competência dentro de campo tem espaço pra trabalhar comigo.

 

Muitos que tiveram e que vieram dentro desse trabalho estão completando também, não digo um ano, mas 10 meses, nove meses, outros menos já que a maioria foi contratada no meio de novembro e começaram a trabalhar em dezembro, então eu acho que isso ai é que é importante no futebol, não ser só um bom jogador, ser um bom caráter, não trazer problema para o treinador, não trazer problema para o clube, e nós tivemos pouquíssimos problemas aqui, porque as atletas sabem do meu perfil, sabem daquilo que eu gosto, e a gente sempre tem passado para eles, sabem que eu gosto das coisas corretas, sabem que eu sou uma pessoa de posição, eu gosto das coisas sérias, então graças a Deus eu não tenho tido problema no Campinense.

 

Agora Esportes: O que você acha que causa os treinadores e jogadores passarem um, dois, ou no máximo três meses no mesmo clube?

 

Freitas Nascimento: Tem várias explicações para isso, mas às vezes até por questão de ética a gente procura não revelar, sabe?

 

Eu acho que essa forma que eu tenho utilizado tem dado certo e eu acho que se todos os treinadores utilizarem essa fórmula dá certo, alguns infelizmente não utilizam, e eu respeito cada um.

 

Você pode ver que no São Paulo tem o Muricy. O Muricy já perdeu classificação de Libertadores, já perdeu Campeonato Paulista e é mantido no cargo, né? Então é uma pessoa séria, uma pessoa que você não ver envolvido em falcatruas, em esquemas. Eu acho que o profissional tem que primeiro honrar a camisa que lhe paga, o time que lhe paga, vestir a camisa do time que lhe paga.

 

As pessoas dizem “Ah! Você não pode ter paixão”. Eu não tenho paixão, mas eu procuro respeitar o clube que me paga, procurando facilitar para ele, uma maneira dele ministrar para que eu possa ter a condição de trabalho, consequentemente ter resultado, então ao longo da minha carreira foi feito dessa forma.

 

Como já falei aqui, chegar a um ano... eu já fiz dois no Londrina, ninguém me conhecia e eu passei dois anos e no início foi complicado, difícil, mas todo mundo estava olhando o trabalho, CSA também. Eu acho que existe esta fórmula, mas futebol depende muito de uma coisa que chama-se resultado e as vezes os dirigentes, torcida, não têm paciência para esperar o resultado e eu tenho tido essa felicidade das pessoas esperarem o resultado, ter tido paciência, acompanham o trabalho, eu acho que é uma maneira de você fazer uma critica, fazer um elogio, é você acompanhar o trabalho do profissional. Eu não posso julgar o seu trabalho se eu não te acompanho, se eu não vivo o dia-dia com você.

 

Eu acho que as vezes existem algumas injustiças, porque você vai, acompanha o trabalho, mas o resultado não aparece e tudo se resolve no resultado e você acaba perdendo o emprego.

 

Agora Esportes: A estréia no Campeonato Paraibano foi com uma derrota para um time que tava subido para primeira divisão aqui na Paraíba, a Queimadense, depois vieram algumas coisas que as pessoas começaram a falar e ai? O segredo então é manter a paciência?

 

Freitas Nascimento: Primeiro você tem que ter tranqüilidade, tem que ter equilíbrio e saber aquilo que você está realizando, que está fazendo, então o próprio dirigente acompanha o seu trabalho e ver até nas suas palavras o que você está passando.

 

As pessoas não são bestas, não são bobas. Eu peguei o Campinense do zero e muita gente me criticou, as vezes as pessoas sabem mas não analisam por esses ângulos, por esse lado, eu tinha dificuldade, tive problemas de contusões, me faltavam opções em termo de troca de peças, o plantel era resumido. Eu tive alguns percalços na caminhada, tanto que a diretoria quando eu perdi o turno ela reconheceu meu trabalho e pediu que eu citasse três ou quatro nomes que a situação financeira já estaria melhor, para a gente brigar pelo Campeonato, e tivemos a felicidade dos jogadores se encaixarem, mas é como eu digo, naquele momento muita gente não pensa dessa forma, analisa o resultado e é por essa situação que às vezes o treinador paga por essa situação, porque ninguém é milagroso, você trabalha, trabalha sério, mas você não faz milagre.

 

Nós perdemos uma semifinal e tivemos quatro jogadores expulsos dos jogos, eu não tive peças de reposição, mas muita gente não analisou isso. Mas eu tive a felicidade da diretoria e das pessoas que acompanhavam virem onde estavam alguns erros que poderiam ser concertados e em cima disso, tivemos a felicidade de ganhar o segundo turno e consequentemente o título.

 

 Imagem: Daniel Bandin/Agora Esportes                    

Após a final do Paraibano 2008

 

Agora Esportes: Bom conhecedor do futebol paraibano, já passou pelo Treze, foi Campeão, agora está no Campinense, também Campeão. O que é quem tem de bom, e o que tem de ruim no futebol paraibano?

 

Freitas Nascimento: Olha, o que tem de bom é você ganhar e o ruim é aquilo que eu já falei, é as vezes julgam através de um resultado negativo e isso é terrível para um profissional que busca seus objetivos, que busca fazer um trabalho sério, digno e as vezes basta um resultado e você julgada por todo seu trabalho, entendeu?

 

Eu acho que no futebol você banalizar, você para criticar, você tem para elogiar, você tem que deixar o lado do coração e passar a agir pela razão.

 

A divulgação do Campeonato Paraibano precisa ser maior, porque aqui hoje é uma Campeonato bastante disputado, as equipes principalmente aqui de Campina Grande, tem investido muito pra fazer boas equipes, então eu acho que pelo investimento que é feito dentro do futebol da Paraíba, eu já estive no Botafogo e o Botafogo investiu muito na oportunidade, precisa ter uma divulgação bem maior, porque tem clubes aqui no Nordeste considerados grandes que não tem a estrutura que tem hoje o Campinense, que tem o Treze e que tinha o Botafogo quando estive lá, que me deu a condição de trabalhar.

 

Eu estou hoje no Campinense faz um ano, como você citou, o Campinense nunca atrasou pagamento, Campinense sempre me deu as condições de trabalho, uma das coisas que eu exijo, antes mesmo de fechar o contrato, porque depois que você fecha para você exigir as vezes você não é atendido. Então o Campinense hoje, é um clube que esta no caminho certo e como o nosso próprio adversário Treze que hoje tem uma estrutura muito boa de trabalho.

 

Agora Esportes: Você conhece bem o Treze, conhece bem o Campinense e conhece bem as duas torcidas, o que dizer da rivalidade  desse clássico dos maiorais?

 

Freitas Nascimento: O clássico Campinense e Treze, eu analiso como um dos maiores do futebol brasileiro. A rivalidade até pelo tamanho que é Campina Grande. As pessoas falam do Rio de Janeiro que tem Flamengo e Vasco, mas o Rio é muito grande, você ver um torcedor do Flamengo e do Vasco, você só ver no Maracanã, aqui em Campina Grande não, você vê no Amigão, ver no Calçadão, ver no bairro onde você mora, você tem um contato direto e, por isso, torna uma rivalidade muito maior, então Bahia e Vitória, CSA E CRB, Fortaleza e Ceará, o Treze e Campinense ou Campinense e Treze não deve nada a ninguém.

 

Agora Esportes: Você já citou alguma coisa a respeito disso, mas porque mesmo com a estrutura que os clubes paraibanos têm, o Estado não consegue ter um representante nas outras divisões do futebol brasileiro?

 

Freitas Nascimento: O Campinense está a caminho disso... (risos). Mas Campinense tem toda a possibilidade de subir, assim como o Treze tem e eu já tive a oportunidade de subir com o Treze quando cheguei à fase final.

 

O problema maior é a falta de patrocínio que poderia vir de todas as áreas. Poder público e privado poderiam ajudar mais para que se pudesse ter mais força quando se chega perto do objetivo, como se chegou por tantas vezes. A falta de incentivo financeiro provoca um nervosismo, uma desconcentração por não se saber como faria se chagasse lá.

 

Você veja o exemplo das Olimpíadas. Os três ouros conquistados que muitos acharam pouco, uma decepção. O que passou o José Roberto com as meninas do vôlei, desacreditado, sem estimulo vindo de parte alguma, quase sem incentivos dentro do país. Teve Cielo que se transformou no homem mais rápido do mundo dentro d`água e ainda o atletismo que ganhou sua primeira prova individual na história. O que eles fizeram na China foi muito para o que podiam fazer. Estavam concorrendo com paises que investem muito no esporte e no Brasil não existe este incentivo.

 

O paraibano Valdeno Brito que venceu uma corrida tão importante de Stock Car, as pessoas não entendem que Formula 1 e Stock Car são muito diferentes. Na Fórmula 1 existe todo o aparato, muita gente financiando, tem empresários por trás, na Stock Car não, é na garra, na força, na vontade e um paraibano conseguiu. Então tudo que se consegue tem que ser na vontade e é muito difícil ser assim. É preciso incentivar, é preciso vir mais força de outros lugares para chegar lá.

 

Mas eu estou com o Campinense e estamos fazendo o possível para subir.

 

Agora Esportes: Você falou sobre as Olimpíadas, a falta de incentivo aos atletas. É este também o problema da Seleção de Futebol Feminina, que merecia o ouro e não levou?

 

Freitas Nascimento: Sim. Não existe incentivo para a prática do futebol feminino no Brasil e elas chegam na China e enfrentam Alemanha, Estados Unidos, paises que incentivam muito, que têm uma estrutura muito boa para elas. As jogadoras do Brasil não têm a mesma estrutura que o país oferece para os jogadores, algumas sequer têm clubes para jogar, ai chega num jogo tão importante e ficam nervosas, é claro que ficam, elas não têm estrutura psicológica para isso, para um momento como este.

 

Para mim, a Seleção Feminina ganhou o ouro na China. Para mim e para todos que trabalham com futebol e que gostam de futebol, a medalha que elas trouxeram pode ser pintada porque é de ouro, pelo que elas jogaram, pelo amor que demonstraram a camisa, pela garra que tiveram, elas são ouro.

 

Agora Esportes: As meninas são ouro, mas e os meninos? O que acontece com a Seleção Masculina que não consegue ganhar uma Olimpíada?

 

Freitas Nascimento: Falta de amor a camisa. Antes, no meu tempo, estar entre os 40 relacionados da Seleção Brasileira era algo incrível, um sonho para qualquer um. Hoje, eles fazem parte do time titular, vestem a camisa amarela e parecem que estão desfilando num encontro de modas para todos fotografarem. Falta amor a camisa amarela, falta compromisso, falta vontade de ser um dos convocados para a melhor seleção do mundo.

 

Agora Esportes: Voltando ao Campinense. Dá para fazer um resumo do que foi este um ano no clube?

 

 
 Momento de glória para os jogadores que sempre acreditaram em Freitas

 

Freitas Nascimento: Dá. Dá para dizer que foi ótimo, que o título foi difícil, com um começo complicado, mas que tivemos vontade e chegamos a conquista mais almejada, somos campeões. Foi um ano de união com toda a diretoria, com torcedores, que nos levaram a conquista.

 

 

 

Agora Esportes: O que esperar do time para este fim de 2008?

 

   

   Campinense Campeão 2008 com Freitas Nascimento no comando

 

Freitas Nascimento: Determinação. Nós vamos em busca da classificação para a terceira fase e para a permanência na Série C no sábado, num jogo difícil contra o Icasa. Esse é o nosso objetivo: Manter o Campinense na terceira divisão. Depois buscaremos pela classificação a fase final, e é preciso dizer que tem muitos times bons na disputa.

 

Estando na fase final, iremos brigar para subir e posso dizer que somos grandes concorrentes para esta vaga. Estando entre os oito da fase final seremos um dos favoritos a Série B 2009.

 

Agora Esportes: Agradecemos a sua participação.

 

Freitas Nascimento: Eu é que agradeço poder participar. Nunca havia concedido uma entrevista tão longa, que eu pudesse falar tanto, sobre tantos assuntos, algo novo e que eu gostei muito. Espero dar muito mais alegrias ao nosso torcedor para poder valer este espaço e conquistar a vaga no fim do ano.

 

Agora Esportes: E faremos uma nova entrevista...

 

Freitas Nascimento: Se Deus quiser!

 

 

 Logo traremos a continuidade desta entrevista... Aguarde!

 

Repórter: Wênia Bandeira

 

Transcrição: Michelle Farias

 

Arte e fotos: Daniel Bandin

 

 

 

 

 

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