Em 12 de Abril de 1915, vinte e oito pessoas deram origem ao Campinense Clube, era a nata da sociedade de Campina Grande/PB, fundaram como uma sociedade dançante, com o nome de CAMPINENSE CLUB, que teve como fundadores os senhores: Elias Montenegro, Dino Belo, Antonio Lima, Sebastião Capiba, João Honório, Horácio Cavalcanti, Manoel Colaço, Luiz Soares, Antonio Cavalcanti, César Ribeiro, Valdemar Candeia, Nhô Campos, Sindô Ribeiro, Severino Capiba, Adauto Belo, Basílio Agostinho de Araújo, José Amorim, Tertuliano Souto, Gumercindo Leite, Martiniano Lins, José Aranha, Alberto Saldanha, Acácio de Figueiredo, Arnaldo Albuquerque, Gilberto Leite, José Câmara, Alexandrino e Adauto Melo.
A primeira sede Social
Como ainda não contava com sede própria, o novo clube passou a funcionar no Colégio Campinense, cujo diretor Gilberto Leite era um dos fundadores. Estes senhores não sabiam que, mais tarde, o Campinense Clube viria se tornar um dos times mais queridos da Paraíba.
Escolha do Nome Campinense
Detalhe digno de assinalar foi à escolha do nome do novo sodalício. Reuniões e mais reuniões se sucediam e não se chegava a um acordo. Finalmente, o jovem e brilhante advogado Hortêncio Ribeiro, numa “quente” reunião propôs que o clube passaria a se chamar Campinense. Esse nome retratava tudo, inclusive o bairrismo dos seus fundadores. E obteve votação unânime. O Dr. José Câmara presidiu a diretoria provisória, no entanto, o primeiro presidente eleito no ano seguinte. A posse foi solenizada com um jornal falado, o “Campinense Clube”. A solenidade foi no palco do Cine Teatro Apolo, Rua Maciel Pinheiro, onde era a Livraria Pedrosa (a velha). Este grupo de amigos não sabia que, mais tarde, o Campinense Clube viria se tornar um dos times mais queridos da Paraíba.
Cartola - Nasceu aristocrata. Não por acaso, a CARTOLA foi escolhida como símbolo. Nos seus salões a sociedade vivia o progresso dos áureos tempos. A majestosa sede da Praça Antônio Pessoa era palco de eventos importantes, onde desfilavam atrações nacionais do universo artístico e político. Ser sócio do CAMPINENSE CLUBE era símbolo na época, de status e escalada social. E foi do quadro de sócios a origem da idéia de criação de um departamento de esportes para jovens adeptos, principalmente do futebol.
Como nasceu o futebol no Campinense
O então presidente do Campinense, Arnaldo Albuquerque, no rastro do América e motivado pelo crescente interesse dos jovens na época pelo jogo de bola, juntamente com sua diretoria, criou o departamento de esportes (1917) e criou o primeiro time de futebol do clube para a prática entre seus associados e adeptos do novo esporte.
Para concretizar este projeto, a diretoria rubro-negra aproveitou o entusiasmo de alguns sócios que já praticavam futebol. Alguns eram integrantes dos quadros do América. Outros não sócios também foram convidados para auxiliar na formação do time, entre eles Antônio Fernandes Bióca. . No ano de 1919, para dar opção desportiva a seus associados, o clube institui a prática do futebol.
Primeira equipe do Campinense
Para a formação da primeira equipe, alguns sócios do clube que atuavam no América e demais clubes da cidade, migraram para a formação do novo time.
Na foto histórica vemos: Da esquerda para direita Bruno Borborema (com a bandeira), Bióca (Juiz), Henrique, José Rocha, Dino Belo, Felizardo Dantas e Luis Gomes. Agachados: José Barbosa, Biscoitinho e Julio Honório. Sentados: Diógenes de Miranda, Biu Capiba e João Arruda.
Divergências entre Bióca e alguns membros do clube culminou na exclusão dele da fundação do time rubro-negro. Ressentido, Bióca retomou suas atividades no América. O clube americano passou a rivalizar dentro e fora de campo contra a equipe do Campinense. Não tardou para América x Campinense se tornar a partida de maior rivalidade da cidade, confronto tão acirrado que acabava decidido nas mesas da delegacia. Em 1920, a rivalidade acabou gerando uma morte por esfaqueamento entre os torcedores. Como punição, o time do Campinense foi dissolvido por sua diretoria, extinguindo o clássico entre alvinegros e rubro-negros, porém, os ressentimentos prevaleceram e muitos ex-jogadores do Campinense passaram a integrar as equipes do Ypiranga, Palestra e Comerciários.
Rivalidades - Tradicionalmente, a partir da política, tudo na cidade desenvolvia-se com intensa rivalidade e, assim no futebol, pela própria natureza desse esporte, não poderia ser diferente. O grande rival da equipe de futebol do Campinense era o Clube América e no dia em que os dois pelejavam era briga certa, como diz a expressão popular: o cacete comia no centro entre as duas torcidas. Não raramente o que inicialmente era uma disputa com a bola terminava na bala.
As rivalidades pessoais acabaram decididas dentro das quatro linhas e o confronto entre América e Campinense ganhou rapidamente condição de clássico. O jogo entre alvinegros e rubro-negros se tornou tão tenso que as duas equipes passaram a brigar durante e após as partidas, resultando na morte de um torcedor durante um dos confrontos.
O problema ficou tão sério que a diretoria cartola resolveu acabar oficialmente com o time de futebol (1919). Preocupados em garantir seu prestigio de clube social, a diretoria do Campinense decidiu fechar o departamento de futebol em 1921, pondo fim a rivalidade. Muitas divergências entre os membros durante a formação acabaram gerando atritos pessoais e parte dos jogadores que migraram para o Campinense, retornaram magoados para a América.
A extinção do Futebol do Campinense
A adesão do Campinense ao Futebol durou de 1917 e durou até 1920, quando os sócios da época criaram a seção esportiva do clube. Como a equipe era considerada “causadora de confusões” (Preocupados em garantir seu prestigio de clube social, a diretoria do Campinense decidiu fechar o departamento de futebol em 1921, pondo fim a rivalidade), apoiada pelo bacharel Severino Procópio, decidiu desativar o departamento, devido a uma série de incidentes e brigas após as partidas. Mas por ordem do bacharel de justiça, Drº. Severino Procópio (que era um dos diretores do clube) e o presidente Arnaldo Albuquerque Cavalcanti decidiram banir a prática do esporte nos quadros do clube, as atividades do futebol foram extintas.
A Espera
Trinta e cinco anos depois (1954), quando o saudoso médico Gilvan Barbosa assumiu a nova diretoria do Campinense Clube, contando com a ajuda de muitos sócios, entre eles Wilson Leitão, Evaldo Cruz, Washington Morais, Miro Herculano, Souto Filho, Wilson Rodrigues e vários outros, tomaram a iniciativa de suspender a norma que estava em vigor desde 1919, restaurando a prática do futebol nos quadros do clube. Assim, em seção de 12 de março de 1954 do Campinense Clube, ficou fundado o departamento esportivo do Campinense sob a denominação de "Centro Esportivo Campinense Clube". O C.E.C.C., supervisionado pela diretoria e a expensas do clube, teria por finalidade incentivar a prática de esportes como futebol, basquete, vôlei, tênis, ping-pong etc., entre seus associados em pleno gozo de seus direitos e seus filhos menores. No ano seguinte (1955) foi inscrito o primeiro time de futebol da Raposa em uma competição oficial, pela liga campinense de futebol.
Inicialmente a equipe funcionaria de forma amadora, apenas para o lazer dos associados. No mês de julho, o segundo time de futebol do Campinense travou uma batalha contra o Ferroviário do bairro da Liberdade. A estréia foi marcada por grande equilíbrio por parte dos esquadrões, era assim que se chamavam os times que se enfrentavam na época, terminando a partida empatada sem abertura do marcador.
Em 13 de março de 1958, os dirigentes e alguns associados do Campinense discutiram a probabilidade da profissionalização da equipe amadora de futebol do clube, pois o esquadrão tinha conquistado os três últimos vice-campeonatos da cidade (1955/1956/1957). Neste momento, havia uma grande expectativa em criar uma equipe de futebol capaz de competir de igual para igual com o Treze.
Os atletas começaram a chegar (1958) para reforçar o quadro de jogadores do clube. As primeiras contratações do Campinense foram o goleiro Josil e o maio-esquerda Bruno. Seguiu-se uma série de contratações: o meia-direita Tim, o centro-médio Jaime, do Esporte, e o apoiador Zito, que atuava na cidade de Patos. A equipe também contava com nomes conhecidos como Marinho, Eudes, Paulo, Gilvandro, Murilo, ex-atletas do Guarany, do Senhor Elias Mota, principal equipe de futebol amadora dos anos 50 da cidade de Campina Grande. O primeiro artilheiro do Campinense foi Miro. A média salarial de tão brilhantes profissionais girava em torno de mil cruzeiros por mês. A partir de 1960, passou a disputar o Campeonato Paraibano de Futebol. Neste mesmo ano conquistou o primeiro título estadual. A vitória abriu a série do hexacampeonato estadual, feito inédito e até hoje não repetido pelos clubes paraibanos.
Em 1961, foi à primeira equipe do Estado a participar de uma competição nacional, a Taça Brasil. Repetindo o feito em 1971, quando disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 1972, conquistou o vice-campeonato nacional da Segunda Divisão, o maior feito de um clube paraibano na história do futebol brasileiro. Também conseguiu, em 1975, ser a primeira equipe paraibana na Série A do Campeonato Brasileiro.O Campinense Clube é considerado um dos maiores clubes de futebol do estado, possuindo sua sede social em Campina Grande, no bairro da Bela Vista, onde já foi construído seu centro de treinamento, ou seja, o estádio Renatão. Carinhosamente chamada pela imprensa paraibana de "Equipe Cartola", o Campinense consegue agregar a juventude com os mais veteranos em seus quadros. A categoria de base do time tem servido de espelho para grandes clubes.
Único hexacampeão da Paraíba - Dos títulos estaduais que coleciona, o mais importante foi conquistado em 1965. A vitória diante do Botafogo (1x0) deu aos rubro-negros o hexacampeonato. O Campinense chegou à grande final após humilhar o Auto Esporte (6x2) e o 5 de Agosto (8x0). O único adversário que poderia estragar a festa era o Botafogo. Foi justamente contra ele que o rubro-negro decidiu a melhor de três, O "Belo" tinha conquistado o primeiro turno enquanto o Campinense o segundo. Na primeira partida a raposa sagrou-se vitoriosa por 1x0, gol de Debinha.
No segundo confronto, no estádio da Graça, em João Pessoa, um disputado 0x0. Na terceira e última partida, o Plínio Lemos estava lotado e a partida disputadíssima. O Botafogo havia erguido um sistema defensivo duro de ser batido. O goleiro botafoguense estava firme no jogo, defendia tudo, foi quando Debinha após receber um lançamento perfeito de Ireno, dominou a bola no peito e após livra-se do zagueiro fuzilou a meia altura marcando o gol do hexacampeonato. Dudinha; Janca, Zé Preto, Ticarlos, Gilvan, Simplicio, Zezinho Ibiapino, Paulinho, Ireno, Tonho Zeca e Debinha foram os grandes nomes daquele inesquecível título.
Grandes jogadores
Pelo time já passaram grandes nomes do cenário esportivo estadual e nacional, a exemplo de Dudinha, Zé Preto, Luiz Carlos, Valnir, Gilvan, Ticarlos, Zé Luiz, Araponga, Tonho Zeca, Ruiter, Zezinho Ibiapino, Pedrinho Cangula, Gabriel, Rinaldo Fernandes, Marcelinho Paraíba e Beto, estes dois últimos ainda em atividades no futebol, com passagens por grandes times do Brasil e do exterior.
Fontes: Site do Campinense
Agora Esportes
Site Futebol do Nordeste
Fonte
Acervo: Jornalista Júlio César, publicado no “Agora Asportes”
Fonte: http://www.campeoesdofutebol.com.br/